segunda-feira, 2 de maio de 2011

Luiz Antonio Gabriela

Recentemente, fui ver a comentada peça "Luiz Antonio Gabriela" da Cia. Mugunzá, eis que saio dos porões do Centro Cultural Vergueiro, atordoado, com uma sensação de torpor, como quando se vê um acidente na rodovia ou um morto estendido no chão.
Essa sensação não é boa e também não é ruim, vamos aos fatos.
A peça que nasce sob os argumentos de Nelson Baskervile, irmão do dito Luiz Antonio/Gabriela, é autoral e biográfica,e carrega sobre si só, um pedido de desculpas, citado tão veemente em letras vermelhas e luminosas no fim do espetáculo.
Só por isso o espetáculo já vale, mas não , as cenas que abrem-se logo após os escancarados exercícios vocais feito pelos atores, te tonteiam.
A começar pelo bonito, mas exagerado cenário, que te bombardeia com informações,e talvez, por isso possa cansar o espectador. Porém, com esse desconforto, seguimos em frente e vamos conhecendo a trágica e dramática jornada de Luíz Antonio tornando-se Gabriela tão kafikamente.
As cenas tem força, evidenciadas por uma excelente iluminação de Marcos Felipe e do próprio Nelson, sem dúvida é cheia de sacadas e orquestrada como música rente ao nossos olhos.
Você vai compreendendo os fatos como porradas no seu estômago, enxugando as lágrimas que teimam a cair a cada cena. Um filho apanha do pai, o vômito de sangue,o troca-troca,o silicone e a música.
Ah, a música também é de uma singularidade na peça, os atores cantando e a emocionante participação de Day Porto (cheguei a pensar que era uma travesti de verdade!), são estonteantes e belas, créditos para Gustavo Sarzi.
É importante ressaltar a cena do Guggeinhein, com as lindíssimas imagens de Thiago Hattnher, qual sou encantado fã, a cena deixa o espectador sem ar.
E assim nas quase duas horas de espetáculo (o que achei longo demais), somos levados ao nocaute! Sim, ao fim da peça, você encontra-se no chão, gosto amargo na garganta por presenciar tantas verdades nuas e cruas sobre um ser humano em particular, Gabriela.
Isso não é ruim, mas também não é bom. É forte.
Como são também poderosas as atuações de Marcos Felipe, Verônica Gentilin e Lucas Beda.
Enfim, estão todos de parabéns, por embarcar nesse pedido de desculpas do corajoso Nelson, e me deixar absorto durante muito tempo.


A peça "Luiz Antonio/Gabriela" reestréia no dia 13 de maio no Galpão do Folias, na Rua: Ana Cintra - Metro Santa Cecília. Ficará de quinta a sábado 21h e dominGo 19h.

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